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A
defesa da liberdade de expressão marcou o nascimento
da AGIR, ainda nos últimos meses
do Estado Novo. Literatura brasileira e alguns dos principais
nomes do pensamento católico, de acentuada preocupação
humanista, foram as pedras fundamentais de um catálogo
que é parte importante da história da edição
no Brasil.
A
editora foi criada oficialmente em 16 de junho de 1944.
Na ata de fundação da Artes Gráficas
Indústrias Reunidas, assinaturas do engenheiro
Rubens Porto, do banqueiro Guilherme Guinle e daquele
que, na época, já era um dos mais importantes
críticos literários e escritores am atividade,
Alceu Amoroso Lima.
Entre
seus fundadores estavam ainda o irmão mais velho
e o sobrinho de Guilherme, respectivamente: o engenheiro
agrônomo Francisco de Paula Machado e o médico
Cândido Guinle de Paula Machado, além de
José Carlos de Macedo Soares, diplomata, e do médico
Affonso Duarte Faveret.
Estas
primeiras páginas do catálogo traduziam
com perfeição a orientação
da nova casa. A descoberta do outro nascia clássico
no acerto de contas de Gustavo Corção com
o catolicismo, preparando a consagração
que viria em 1950 com Lições de Abismo.
Já reconhecido, Murilo Mendes escolheu a Agir para
lançar seu nono livro, O discípulo de Emaús.
Além de escolher novos títulos, Alceu também
publicava seu Voz de Minas, coletânea de ensaios
de sociologia. Pouco tempo depois, em 1946, a editora
abriria suas portas para uma iniciante que, com seu romance
de estréia, impressionara críticos como
Antonio Candido e Sergio Milliet. Seu nome, Clarice Lispector,
que depois de Perto do coração selvagem
publicava, pela AGIR, O lustre.
Em
1954, a AGIR apresentou ao público
a primeira edição de um livro que marcaria
diferentes gerações em todo o mundo. Desde
seu lançamento, em tradução de Dom
Marcos Barbosa, O pequeno príncipe, de Antoine
Saint-Exupéry, já vendeu quase 4 milhões
de exemplares no Brasil.
O
ano de 57 foi marcado ainda pela publicação
de O Auto da Compadecida, texto que firmou-se como um
dos momentos decisivos da obra de Ariano Suassuna A peça
integrava a coleção Teatro Moderno, que
trouxe ao público brasileiro grande traduções
de textos fundamentais da dramaturgia contemporânea,
como O rinoceronte, de Eugène Ionesco, e Bodas
de sangue e Dona Rosita solteira, de Federico Garcia Lorca,
além do clássico brasileiro A moratória,
de Jorge de Andrade. A coleção Nossos Clássicos,
lançada em 1957, inaugurou uma nova forma de difundir
a literatura em língua portuguesa. As pequenas
antologias, que reuniam as obras mais importantes de cada
autor e textos de contextualização, logo
tornaram-se obrigatórias nos currículos
de colégios e universidades, ampliando significativamente
o público tradicional de livrarias.
Na
literatura infanto-juvenil a AGIR teve
entre seus autores grandes nomes como Maria Clara Machado,
que publicou na editora alguns de seus principais textos,
e Lygia Bojunga Nunes, autora de clássicos do gênero
como A bolsa amarela e Os colegas. Premiada este ano pelo
conjunto de sua obra com o Astrid Lindgren Memorial Award,
o mais importante prêmio dedicado à literatura
infanto-juvenil, a escritora publica hoje por sua própria
editora, a Casa Lygia Bojunga.
Todos
estes caminhos estão, de alguma forma, resumidos
nas páginas que se seguem e, muito além
delas, nos próximos lançamentos da Agir.
“Creio
que não é muito comum uma escritora manter
uma relação tão longa e amigável
com a editora que a publica como a que eu mantive por
30 anos com a Editora AGIR. Considero essa ocorrencia
um verdadeiro privilégio, que atesta ser possível,
sim, escritores e editores se tornarem bons e fiéis
companheiros em projetos que tentam priorizar livros de
qualidade.” Lygia Bojunga Nunes.
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