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Título:  Famílias, amo vocês

Autor:  Luc Ferry
Editora:  Objetiva
Categoria:  Ensaios
Páginas:  144

Por:  R$ 22,90   l    Livro Disponível

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  SINOPSE
 
 

Política e vida privada na era da globalização

Uma história da intimidade, da família moderna
e do casamento por amor

“Não há nada mais democrata e moderno do que o tema da família”, afirma Luc Ferry, ex-ministro da Educação e um dos mais polêmicos pensadores da França. Para o filósofo, que acredita que o mundo vive o nascimento de um novo humanismo, atualmente a verdadeira meta da existência para a maioria das pessoas — o que dá sentido, sabor e valor à vida — situa-se basicamente na vida privada. “E essa evolução só se torna compreensível quando colocada em perspectiva no interior de uma história, a da família moderna, em que a família de modo algum é um tema exclusivo da ‘direita’, como tantas vezes se repetiu, de maneira impensada e mecânica, mas, pelo contrário, é o mais belo apanágio da aventura democrática. A vida amorosa ou afetiva sob todas as suas formas, os laços que se criam com os filhos no decorrer da educação, a escolha de uma atividade profissional enriquecedora também no plano pessoal, a relação com a felicidade, mas também com a doença, o sofrimento e a morte, ocupam um lugar infinitamente mais eminente que a consideração de utopias políticas, aliás, inabordáveis”, escreve o autor no prefácio de Famílias, Amo Vocês.

A verdade é que a família moderna fundada no casamento por amor é uma instituição muito recente. No Antigo Regime não existia o casamento por amor, e sim para transmitir um nome, uma herança, uma linhagem. É no seio dessa nova estrutura de família, baseada no sentimento, que se desenvolvem novas formas de solidariedade e também novas questões políticas. Ferry questiona no livro os motivos que levaram a sociedade a pôr em dúvida os princípios que dois séculos antes pareciam os pilares da civilização européia moderna: “Como me esforçarei para demonstrar, o advento da família moderna e do casamento por amor, que se tornou, pouco a pouco, o ideal e depois a regra das sociedades contemporâneas, alterou todo o jogo. Sob o efeito dessa inovação que revolucionou a vida cotidiana dos indivíduos, o sagrado mudou de sentido ou, melhor dizendo, de encarnação. Abandonou progressivamente as entidades tradicionais, que se supunham grandiosas pois inumanas — divindade, hierarquias sociais aristocráticas, nação, pátria, ideais revolucionários —, para se estabelecer, cada vez mais solidamente, no coração do menos divino, quer dizer, na própria humanidade.”

No primeiro capítulo de Famílias, Amo Vocês, “Um século de desconstrução: O ‘crepúsculo dos ídolos e o fim dos grandes objetivos’”, o autor esclarece como princípios de sentido e de valor que formavam os quadros tradicionais da vida humana desmoronaram. Para Ferry, as causas dessa “perda das referências” devem ser questionadas: “O século passado dedicou-se à desconstrução das tradições, assim como à elevação potencial do individualismo — as duas caminham juntas —, mas falta compreender o porquê, bem como entender o que essa evolução dos costumes e das mentalidades eventualmente trouxe de novidade e, se for o caso, de vantagem.”

“Frente à desapropriação democrática: Grandezas e misérias da globalização capitalista”, o segundo capítulo, trata da atual falta de controle dos seres humanos sobre o curso do mundo. O autor sustenta que a vitória do liberalismo e da globalização tornou as pessoas desprovidas de qualquer domínio real sobre o andamento do mundo e, por isso mesmo, desresponsabilizadas como nunca.

Segundo o filósofo, o medo é uma das paixões dominantes das sociedades democráticas: “Temos medo de tudo: da velocidade, do álcool, do tabaco, da costela de boi, das transferências de mão-de-obra, dos organismos geneticamente modificados (OGM), do efeito estufa, do frango, dos microondas, do dumping social, da precariedade, da Turquia, do presidente americano, da extrema-direita, das periferias, da globalização et cetera e tal.” Para o autor, a cada ano um novo medo se soma aos antigos, de forma que assistimos a uma verdadeira proliferação da angústia. De forma inédita, as sociedades tendem a desculpabilizar o medo, tornando-o uma paixão positiva, um ingrediente de prudência e até mesmo de sabedoria. O medo ganhou a posição de iminente paixão política. A angústia não causa vergonha. Pelo contrário, é exibida. E a grande questão é o fato de o poder público também estar paralisado pela angústia. “Como, de fato, se sentir representado, se aqueles que encarregamos de manter as coisas seguras não têm mais capacidade real para isso? É trágico o resultado dessa situação: a impotência pública é tamanha que nossas democracias ficam praticamente sem ação”, conclui Ferry.

“A sagração da intimidade ou o nascimento de um novo humanismo”, terceira questão apresentada em Famílias, Amo Vocês, discute como o crescimento dos valores da intimidade, que caracteriza fortemente as sociedades democráticas, não deve ser interpretado como um “recolhimento individualista”, uma regressão “neoliberal”, uma renúncia aos afazeres do mundo. “O crescimento dos valores da intimidade representa, pelo contrário, um formidável potencial de alargamento do horizonte: a verdade de um humanismo afinal maduro e não, como em geral se acredita, seu desvio para o egoísmo e para a atomização do social”, defende o filósofo.

 

No quarto e último capítulo, “O que fazer? Como a história da vida privada reinventou o coletivo”, Luc Ferry reflete sobre como a política, uma atividade que visa por excelência à esfera pública, pode levar em conta – ou mesmo se beneficiar com elas – as revoluções que abalaram seu oposto natural, a esfera privada. “Sendo menos violenta e espalhafatosa do que outras, a revolução da intimidade produz efeitos profundos, a longo prazo, e não se pode pretender deduzi-los a priori. A questão exige, por isso mesmo, maior reflexão, e é a isso que este livro, modestamente, gostaria de convidar o leitor. Em seu conjunto, a política moderna, desde o final do século XVIII, para não entrar em épocas precedentes, colocou a esfera pública infinitamente acima da esfera privada. Em caso de conflito entre as duas, sempre a segunda foi sacrificada em favor da primeira, como se pôde verificar por ocasião de todas as guerras, que, aliás, eram conduzidas por homens”, diz o autor.

Em Famílias, Amo Vocês, Ferry conclui que a política tende, cada dia mais, a se tornar, primeiro e antes de tudo, um auxiliar da vida privada. Ela será um simples instrumento a serviço do brilho e do sucesso da vida das pessoas.

Sobre o autor

Nascido em Paris, em 1951, Luc Ferry é filósofo e um dos principais defensores do humanismo secular – visão de mundo que se contrapõe à religião por conta de seu compromisso com o uso da razão crítica em vez da fé na busca de respostas para as questões humanas mais importantes. Foi ministro da Educação na França de 2002 a 2004. Com Aprender a Viver, que já vendeu cerca de 40 mil exemplares no Brasil, venceu o prêmio Aujourd’hui 2006, uma das mais conceituadas premiações de não-ficção contemporânea da França. Enquanto ministro, foi dele a proibição do uso de trajes religiosos (isto é, véus sobre a cabeça e rosto de mulheres islâmicas) em escolas públicas da França.

 
 

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